Todos os posts de Léo Sardou

Leonardo Sardou, Léo ou Sardou, nunca Leonardo. Jornalista por formação, carioca, sambista e acima de tudo Rubro-Negro. Nascido em setembro de 1981, ano do Mundial, afirma que viu o sacode que o Galinho deu nos ingleses. Frequentador assíduo do Maracanã sempre batia ponto no setor 52, escada 19, ali na antiga Faixa de Gaza, hoje, no “Novo Maracanã” se posiciona na Norte Inferior, portão 189/190 lado esquerdo do túnel. Divide seu tempo entre as mesas de bar, rodas de samba, Maracanã e Sapucaí. Morador da Zona Oeste, apaixonado por Vila Isabel, acompanha o UFC, NBB, qualquer esporte que passe na TV, e quando sobra tempo é praticante da arte-suave. Pensamentos anarquistas em busca de paz de espírito. O pai da Giovanna. Quer trocar uma ideia? Me encontre em algum boteco ou no @sardouzao

Sonho de um Sonho

”Sonhei…

Que eu estava sonhando um sonho sonhado…”

Com esse trecho da música de Martinho e ideia com a ideia copiada na cara de pau do texto da Vivi Mariano (clique aqui), venho chama-los a reflexão.

O sonho de um sonho…

Magnetizado, as mentes abertas…

Sem bicos calados, Juventude alerta, os seres alados…

Sonho meu…

Eu sonhava que sonhava…

Quem apaixonado por futebol que nunca teve o sonho de fazer um gol no Maracanã, um cruzamento perfeito, um lançamento, um corte na hora providencial, ou mesmo pegar um pênalti em uma final? Quem gosta do esporte bretão, em algum momento da vida já fez esse exercício de imaginação. Eu faço até hoje.

SONHO

“Sonhei…

Que eu era o rei que reinava como um ser comum…

Era um por milhares, milhares por um…”

Os garotos do Ninho foram, eram e são a realização desse sonho, sonhado. Ao vermos o Adriano ganhar tudo, o Júlio Cesar virar um Imperador da Itália, o Juan uma bastilha em sua inesgotável carreira, nos realizamos com suas vitórias e nos solidarizamos com suas derrotas. Hoje vencemos, perdemos, sorrimos e choramos jogando juntos com Paquetá e Vinicius Jr pintando a Europa de Rubro Negro. Eles são a gente em campo, pedaços de nós, que somente nós, rubro negros conseguimos explicar.

flamengo vizeu corinthians

“Como livres raios riscando os espaços…
Transando o universo…
Limpando os mormaços…
Ai de mim…
Ai de mim que mal sonhava…”

Só com esse mínimo de entendimento, ou tentativa de, sonhar esse sonho é que você pode buscar sentir a dor que estamos sentido. Perdemos uma geração, perdemos nossos meninos, perdemos muito de nós na sexta feira no ninho do Urubu. Mas, não chega perto do que essas famílias perderam, perder um sonho não tem valor imaginável, tangível, não tem preço perder a esperança. A esperança da mudança de patamar jogada nas costas de cada criança é um peso amargo que vamos ter que carregar como sociedade capitalista. A busca inesgotável pelo tesouro faz cada vez mais que nos tornemos mineradores em Serra Pelada.

Vamos ter que juntar os cacos, o nosso Ninho foi maculado, nossa fábrica de craques desonrada. Esperamos e queremos que o Flamengo aja como FLAMENGO. Se esperam que sejamos GIGANTES, sejamos mais, não tem meta, não tem não. Temos que abrigar os sobreviventes e familiares, no nosso colo, no nosso NINHO, lamber nossas feridas e viver pelos 10 do Ninho.

“Na limpidez do espelho só vi coisas limpas…

Como uma lua redonda brilhando nas grimpas…

Um sorriso sem fúria, entre réu e juiz…

A clemência e a ternura por amor da clausura…

A prisão sem tortura, inocência feliz…”

Somos os mais interessados na apuração dos fatos. Não podemos deixar dúvidas, não podemos perder tanto assim em vão. Espero que as investigações sejam concluídas com celeridade. Precisamos dar exemplo, se houverem culpados que o Flamengo não os proteja. A Gestão passada tem que se fazer presente e a Gestão atual mostrar o porquê foi eleita. Temos que ser mais do que nunca o exemplo de profissionalismo, puxar o bonde da História temos que ser vanguarda no tratamento com as vítimas e com nós mesmos.

“Ai meu Deus…
Falso sonho que eu sonhava …
Ai de mim…
Eu sonhei que não sonhava…
Mas sonhei…”

flamengo ninho

Sonho de um Sonho (Martinho da Vila – Unidos de Vila Isabel 1980) – Clique aqui.

Desfile Vila Isabel 1980 – Clique aqui.

Pureza das Crianças

Ah, o Carioqueta…

Campeonatinho que não vale porra nenhuma, mas vai perder para você ver… É tipo bater em bêbado, beijar mulher feia… é obrigação, mas vai lá e toma um toco…

Ontem antes mesmo de rolar a bola só pensei em Gonzaguinha… ao ver Gabigol entrar em campo sendo carregado pela molecada eu pensei:

“Eu fico com a pureza

da resposta das crianças

É a vida, é bonita

E é bonita…”

O jogo não valia nada, é verdade, mas para aquela criançada que pela primeira vez teve contato com seu “ídolo” (hein?) era final de campeonato, ali mais que nunca era “VENCER, VENCER, VENCER!”, não rolou. Cabe a nós adultos (hein?) Analisar essas peladas pré-temporada e tentar buscar daí algumas respostas ou características para o “Ano Mágico” que já tá aí.

A primeira característica que podemos ressaltar é que Abel (na minha opinião a melhor opção no mercado) continua o mesmo. Apesar de prometer que o esquema é o 4-3-3, quando você bobear ele vai meter 3 volantes. Ontem em nome do revezamento do time, não foi diferente. Começamos o jogo com Hugo Moura, Piris e Jean Lucas (um pouco mais liberado) fazendo a proteção da zaga e Arrascaeta centralizado sem a obrigação de marcar, formando um um losango na meiuca. Provavelmente ele pensou em liberar os laterais, mas claramente o time sentiu a falta de entrosamento. Podemos observar isso principalmente nas bolas aéreas, Abelão tem que ligar o sinal vermelho, pois houveram falhas com a zaga titular e reserva.

Analisando a peleja, podemos dizer que Cesar é um ótimo reserva para Diego Alves, o garoto enfim, vai mostrando confiança e em pouco tempo poderá assumir a titularidade, por enquanto ainda é cru. A dupla de zaga entre trancos e barrancos foi bem. As constantes falhas na bola aérea e o nervosismo mostrado pelos dois jovens foi claro! Contudo, Léo Duarte já é uma realidade e Dantas promete ser um grande zagueiro, firme, sério e com atitude, temos aí um projeto de Xerife.

O que falar das laterais? Podemos começar com a afirmação de sempre. Na direita, quando joga o Pará tenho saudades do Rodnei, e quando joga o “Rod” tenho saudades do Pará. Nessa não tem dúvidas é esperar chegar o Rafinha e rezar. Já na canhota temos uma outra ideia… poderíamos fundir Trauco e Renê? Quem me dera um “latera” com a responsabilidade defensiva do Renê e a facilidade de colocar a bola na área do Trauco, ontem o Peruano brincou de cruzar, poderia inclusive fazer um tutorial para seus amigos da posição.

Vamos para o meio, Abel ontem colocou 4 jogadores no meio fazendo um losango. Piris na Mota na frente da zaga, Jean Lucas na direita, Hugo Moura na esquerda e Arrascaeta livre, sem responsa na marcação. Primeiramente, alguém tem que acabar com o nome composto no futebol. Que Chatura!

Sigamos, Hugo Moura é cabeça de área de formação até tentou chegar na frente, mas, não é a dele, quem o acompanhou na Copinha, sabe que a dele é mais de primeiro volante, mas o treinador não tinha outra opção, já que emprestamos o Ronaldo. Já o Jean fez um jogo aquém do que eu espero dele, faltou alguma coisa, muita disposição, entrega, mas faltou algo. Arrascaeta por sua vez deu a mostra do que vai ser durante o ano. Não é um jogador participativo, diferente do Diego, não pega toda hora na bola, as vezes até some, mas quando pega acontece algo diferente, vide o passe para o Trauco na hora do gol, passe preciso de quem sabe muito.

No ataque Abelão optou por deixar Gabigol solto, caindo pelas pontas, com Dourado centralizado. Dourado fez um golaço e depois fez tudo igual a sempre… errou 387 matadas de bola, tropeçou na pelota 579 vezes, ou seja, seguiu o script. Para falar de Gabigol, tenho que deixar claro que assim como as crianças na música do Gonzaguinha, tenho muita esperança no garoto. Ontem, mostrou querer jogo! Apesar do posicionamento do esquema do Abel, tentou de tudo para sair com unzinho, mostrou velocidade e força, vai dar caldo com certeza.

Vou abrir um parágrafo só para falar do Vitinho. Nação, não caia na esparrela da mídia! O menino joga bola, precisa de carinho. Ontem deu azar de não sair consagrado com o gol de falta no último lance. No mano a mano não tem igual, desde a Florida Cup, ninguém acha o cara! Tá faltando calibrar a pontaria nos arremates e passe. Mas, quando acertar vai ser um dos caras mais importantes do elenco.

Cuellar Monstro.

Thiago Santos: Nada me diz que vai dar jogador. Supervalorizado.

Sendo assim vamos com Gonzaguinha:

“Viver…

E não ter a vergonha

De ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser

Um eterno aprendiz…”

P.S: Gonzaguinha é imortal! Sua obra atravessa o tempo, ou o presente que volta a repetir o passado?

Vou deixar algumas dicas aqui…

Não sei se vocês sabem, mas o Império Serrano vai cantar Gonzaguinha na Sapucaí esse ano, segue o link da gravação. Clique aqui.

Não posso esquecer de sugerir mais duas músicas, uma Gonzaguinha fala sobre a paixão pelo futebol em tempos sombrios “Se meu time não fosse campeão” e outra para reflexão mesmo “Comportamento Geral”.

“Se meu time não fosse Campeão”. Clique aqui.

“Comportamento Geral” Clique aqui.

Quem quiser trocar ideia vem no twitter @leosardou bora trocar uma ideia, falar umas besteiras, e para quem quiser hoje vou no ensaio da querida Vila Isabel, vai lá e me paga uma cerveja!

Notas:

César – Seguro ao menos duas defesas difíceis – 8

Rodnei – Fraco no Apoio, não acerta um cruzamento, mesmo com Gabigol caindo ali não rendeu – 6

Léo Duarte – Duas ou três caneladas, parecia nervoso – 5

Dantas – Sério, mostrou nervosismo também e não subiu no gol dos caras – 5

Trauco – Se na defesa é uma avenida, ontem não teve problemas, os cruzamentos de sempre e uma assistência – 8

Piris – Cão de Guarda, mas deu mole no Gol – 4

Hugo Moura – Subir ao ataque não é a dele, foi bem na contenção – 6

Jean Lucas –  Espero mais. Teve problemas na marcação e não mostrou força ofensiva – 5

Arrascaeta – Nitidamente sem ritmo – 7

Gabigol – Também sem ritimo, mas mostrou que quer jogar bola, muita força física – 7

Dourado – Só vai receber nota “azul” pelo gol, pois mais uma vez foi o pior em campo – 7

Thiago Santos – brigou com a bola diversas vezes – 6

Cuellar – O time muda com ele em campo – 7

Vitinho – Fez de tudo para calar a boca da imprensa e torcedor de zap zap, faltou o gol – 8

Quinta encarei e procedi ao batismo Flamengo

Desde quando começamos a andar e conhecer nossa casa, passamos a imaginar a continuação de tudo que deixamos no mundo. Queremos ser semente, queremos que nossa raiz seja fincada, queremos que nossos herdeiros sigam nossas preferências.

Dito isso, na quinta-feira foi dia de evangelizar. Não que já não o façamos diariamente, mas, levar ao estádio é fundamental. Pai de duas meninas, geralmente invejo os pais que têm mais culhão que eu, e estão com suas crias todos os jogos. O Maracanã, a tensão do jogo, que muitas vezes me faz deixar de ser pai para ser torcedor me impedem de ser mais religioso ao forjar o rubronegrismo tradicional nas meninas.

flamengo

Contudo, quinta encarei… Foi demais ver a pequena de dois anos buscando aprender todas as músicas e batendo no peito “Mengão do meu coração”. Ser pai é achar lindo a filha mais velha não conseguir ver nenhum gol, pois pegou no sono. Sabe como é né? Ansiedade cansa… Rs…

Pai, leve seu filho no estádio… Mesmo que em um momento você esqueça que a criança está em seu colo e grite… “Dourado, Fdp! Pensa que tá no Fluminense, seu ARROMBADO” e nisso sua filha comece a gargalhar com medo de nervoso por nunca ter visto seu pai assim…

Vamos Flamengo!

Toda Quarta e Domingo tem mais!

Flamengo é do torcedor e torcedor não usa cartola

Cadu, meu grande amigo… Ler esse texto pela manhã, me faz muito feliz, não por poder bater no peito e dizer, ‘sou foda’, ou qualquer coisa que pese em relação ao egocentrismo tão banal nos dias atuais. Fico feliz em saber que realmente nosso povo faz falta, que mesmo aqueles que entendem mais de números e boletos que eu, começam a observar quem é o dono do Flamengo.

Sim, se o Flamengo tem um dono, e que o fez e faz gigante, esse dono é a magnética, só ela…

Tenho um amigo que devemos ter juntos uns 20 anos de Maracanã e uns 25 de amizade. A maioria das nossas vitórias e quase todos os perrengues, estávamos juntos. Mas mesmo com tudo isso, não somos obrigados a ter a mesma opinião. Daí, semana passada ele com o olhar do sócio, com raiva da gestão, falou: ‘Léo, o Flamengo não tá bem. O time não entrega, a torcida tá puta e os caras inventam isso de jogo treino na parte da tarde? Eles são malucos, vão passar vergonha não vai dar 10 mil!’.

Daí eu falei assim: ‘Irmão, uma das poucas coisas que eu sei, é que política mata a paixão. Às vezes mesmo me sinto assim, mas, o torcedor é passional, principalmente o do Flamengo. Esse treino não é importante pro Sócio, pro Sócio Torcedor. Esse treino é o jogo. É final de campeonato para quem foi excluído dos jogos, pra quem não consegue bancar o custo Flamengo.’.

Ficou naquela. Ele bancando que não iria ninguém e eu afirmando que poderia acontecer uma “surpresa”, para ele, claro. Na segunda quando bateu 40 mil ingressos, eu aproveitei para dar uma sacaneada, e mandei uma mensagem para ele:

Tu já não sabe nada de Flamengo!

Ele sorriu… Sabe que é pilha… Rs

Cara, não nasci Flamengo. Sou filho de uma tricolor com um botafoguense inserido numa família totalmente vascaína, nascido na Baixada. Dificuldade gigantesca para ir aos jogos. Aos 14 anos eu já ia pros sozinho, contra a família e contra as estatísticas. Meu amor pela Nação e por fazer parte dela, era maior que os riscos corridos. Eu tinha fome de Maracanã. Costumo falar que me transformei em Flamengo por amar o povo que é Flamengo, a democracia Flamenga… Sempre teve espaço para todo mundo, sempre!

Tinha rico, pobre, Zona Sul, Baixada, polícia, ladrão, preto, branco, nordestino, punk, pagodeiro, heavy metal, tinha de tudo… Até o dia que o Flamengo resolveu escolher os seus torcedores… aí fudeu tudo… perdemos na bola e na alma.

Quando o Flamengo decide excluir seu povo em nome de pagar boleto, o Flamengo perde sua identidade, perde sua essência, pois, nos tornamos torcedores burocratas, não deixamos de comer para estar ali. Não temos mais a fome de Maracanã. Hoje a torcida do Flamengo, que frequenta os estádios, tem muito mais a cara do Diego e quase nada de Rondineli. Quem vai ao estádio hoje tem a “barriga cheia” de Flamengo. Vai por ir, bate ponto, já que “paga ST”. Passou da hora de voltar a galera que joga sem ter o que comer, que se alimenta de vitórias, que morre junto na derrota e que é intransigente com jogador cuzão…

Por essas e outras 1,2,3 solta os Bichos de uma vez!

Tá osso…

Desde 2015 estamos batendo em uma mesma tecla, quase que diariamente. Coluna após coluna, vexame após vexame, indicamos o maior erro da gestão Bandeira de Mello: seu pouco entendimento e nenhum pulso com o futebol. Agora, nesse longínquo 2018, após mais um vexame, vimos nas declarações do Ricardo Lomba, VP da pasta, um pouco da nossa voz. Se era o momento correto, se foi jogada política, não interessa. Naquela entrevista ele foi a minha voz e de alguns amigos meus.

Eu mantive meu pé atrás, já que não possuo uma grande simpatia pelo VP desde sua declaração lá no dia da sua posse, onde ele afirmava que se não fosse para seguir suas ideias ele pediria o boné. Na época procurei informações sobre qual seria o pensamento dele em relação ao futebol Rubro-Negro, e todos me falaram bem, mas, o futebol continuou sem comando, ele não pediu o boné e continuamos na mesma.

Enfim, após seu “grito” de liberdade, algumas coisas mudaram, mas, logo depois, o presidente do clube trouxe o futebol para baixo de suas asas e sob a batuta, e por que não, batida de Fred Luz, que pode ser um grande negociador, mas, tem a presença de uma lontra em meio das raposas, que são os jogadores de futebol, empresários, etc…

Seguindo assim, estamos na mesma. Um futebol sem pulso, sem direção, sem firmeza, ou seja, a face do mandatário. Na última semana tivemos a notícia que Bandeira de Mello pediu aos jogadores ajuda para chegar ao fim de seu mandato com alguma honra.

Bandeira… gestor não pede, gestor dá ordem! Não é assim que se ganha um grupo, principalmente no futebol. Ali é rédea curta e chicotada. Você pode não saber fazer, mas, se quer salvar o fim do seu mandato, ache alguém que o saiba e principalmente dê respaldo. Deixa quem sabe de futebol, trabalhar futebol…

Você teve uma chance com o Rueda, mas, não deu carta branca, acreditou no RC e hoje mantém a mesma política de não enfrentamento com a panela. Mas, lembre-se, Rodrigo Caetano precisa ser amigo dos jogadores para manter sua posição no mercado. O Flamengo não! Agora ele é passado. Desapega!

Jogadores, dirigentes, presidentes vão e o Flamengo fica!

Me ajuda a te ajudar…