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Mercio Querido, ou Sorin, como foi rebatizado pelas arquibancadas, tem anos e anos de estrada, chão de aeroporto, chão de rodoviária, e outros perrengues mais, tudo para fazer o que tomou como missão maior de vida: Estar Lá Quando o Flamengo Entra em Campo. Orgulhoso de estar quase sempre presente, acha que não é lá tanto mérito assim ir aos 38 jogos do Brasileirão. “Prova de amor mesmo é ir a todos do Carioqueta”, gosta de dizer, fazendo alusão ao que se habituou a chamar de “Modorrento Estadual”. Tendo trocado de “companheiros de arquiba” diversas vezes ao longo dos seus 41 anos, afirma orgulhoso que encontrou no povo da Fla Mochila a sua Tribo Definitiva e Para Todo o Sempre. Grupo pequeno, mas aguerrido, que conta inclusive com a presença de Sorinzinho, seu filho de 16 anos, entre suas fileiras. Como nem tudo é perfeito, carrega o que considera uma mancha nessa sua “carreira” de rubro-negro. Nunca saiu do país para acompanhar um jogo do Flamengo no exterior. Escreveu no Site Oficial do Flamengo por 3 anos. Como a Chapa Azul não pareceu muito empolgada com suas asneiras, foi acolhido pelo Falando de Flamengo e promete um blog melhor e mais emotivo por aqui, já que lá não podia escrever palavrão e nem ofender a mãe do juiz. Passa a relatar aqui suas aventuras e desventuras pelo Brasil afora. Sua visão deturpada da realidade. Afirmando sempre e em Caps Lock. “É O FLAMENGO NESSA PORRA!!” Twitter: @sorinmercio

A FUGA DO PAÍS DAS MARAVILHAS

38.

O projeto nem tão difícil assim, mas de caminho árduo, já ficou para trás em 2013. Devido ao caos financeiro-psicológico-organizacional gerado pelos três cavaleiros do apocalipse, FIFA + CBF + Chapa Blue, não será possível a presença em todas as rodadas do Brasileirão 2013.

Imbuído de um espírito azul, prático e frio, concluí que o troço mesmo vai ser ir aos jogos fora e no Rio, transformando os modorrentos jogos “em casa do caralho” em “em casa de verdade”.

juan_internacional_-itamaraguiar_aeNeste Domingo, enquanto Juan balançava constrangido as redes rubro negras aos 719 minutos do segundo tempo, estava eu descalço e sem camisa largado no chão do meu humilde lar, faltando a um “jogo fora”, medida econômica e orçamentária necessária para equilibrar com os dois jogos “em casa” que fui anteriormente em Santa Catarina (!!??) e em Brasília (!!??).

O pior de tudo? Esse troço é confortavelmente perigoso.

Enquanto alguns dos meus aguerridos amigos estavam sofrendo as agruras do frio da Serra Gaúcha, por onde tivemos até neve no último final de semana, passei um dia pra lá de agradável na Cidade Maravilhosa.

ipanemaPraia, companhia dos meus filhos, café da manhã na padaria em Ipanema, almoço agradável, filminho na televisão após o jogo, tudo de bom. Tudo perigosamente bom e confortável. Ainda mais levando em conta a minha já não tão pueril assim idade.

Ao final do dia a preocupação de ter achado o dia agradável.

Ainda bem… De novo… AINDA BEM que… Mais uma vez… AINDA BEM que nas próximas semanas rolam duas atividades para desintoxicar o velho corpo rubro negro desse conforto omisso do lar. Jogos no meio de semana (que incluem as correrias e perrengues habituais) em Salvador e em Goiânia.

994840_471429346280423_1345790187_nAí vai ser o de sempre. Sair cedo do trabalho, passar fome, dormir no chão, desembarcar direto para o trabalho no dia seguinte… Isso é que é viver.

Sai pra lá sofá… Sai pra lá País das Maravilhas. Cada um trata suas paixões como quer e ninguém tem nada com isso. O meu coração rubro negro, assim como todo o corpo, EXIGE perrengue… Em seu nível máximo se possível.

*      *      *

CURTAS

INVEJA. Amigo aguerrido da Urubuzada fez a viagem para Caxias do Sul, ida e volta, de busão. Nada mais nada menos que 50 horas na estrada para acompanhar nosso Flamengo de perto. É exatamente assim que se faz.

ORGANIZANDO A ROGONHA. Ok Chapa Blue. Já entendi que devem rolar mais uns cinco jogos “EM CASA” lá no Mané Garrincha. Será que seria pedir muito definir logo quais? Aí dá até pra descolar umas promos bacanas e ir até lá. Com esse troço de comunicar 10 dias antes vocês estão acabando com os nervos da Fla Mochila. E com as finanças também.

NOSSA ESTRELA. Eis que Carina, única “membra” praticante da Fla Mochila, embeleza a edição de domingo do global “Fantástico”. Com suas belas madeixas vermelhas, surgiu na tela bem no estilo Barra Brava, com o rosto coberto por um pano. Era por causa do frio, mas que ficou mega-hiper-estilosa… Lá isso ficou.

A NAÇÃO RIO E A CASCA DE BANANA

banana1Logo na minha tenra infância e em meus primeiros momentos na escola traumatizou-me a história do João Banana. Um conto curto aonde o protagonista, com fama de ser o maior preguiçoso da cidade, está em um cortejo fúnebre e ocupando o papel principal, o de defunto.

Lá pelo meio do caminhar, João Banana abre os olhos e desperta. Após breve e compreensivo tumulto na multidão que achava estar acompanhando João Banana em seu último passeio até o cemitério local, alguém pergunta para o ex-defunto se ele aceita uma banana, sua comida favorita. João então questiona ainda meio atordoado: “Banana com casca ou sem casca?”. Ao lhe estenderem um pequeno cacho com meia dúzia das tais frutas, envolvidas em suas respectivas capas naturais amarelas, João Banana coça a cabeça pensativo… E decide voltar atrás no seu despertar. “Com casca? Vou ter esse trabalhão todo pra comer? Bem… Pode seguir o cortejo e realizar o enterro conforme programado”.

Fiquei assustado quando li esse conto. Um tanto quanto precoce, fiquei ali no meu banco de fundo da sala do primário pensando: “Como podem dar para as crianças lerem… Uma história que vai terminar com alguém sendo enterrado vivo?”

homerTenho sofrido alguns traumas com a “Nação” Rio também. E tal qual na história que me assombrara os primeiros dias no colégio, a PREGUIÇA aqui também é personagem principal.

Tenho criticado lá em casa (o Twitter), e com freqüência que impede a minha defesa se alguém me chamar de chato, o fato do Flamengo praticamente não jogar mais em solo carioca. Ou pelo menos em terras do interior do Estado.

Sem argumentos lógicos no campo financeiro, já que a maquininha caça-níqueis lá de Brasília não cansa de estampar em seu visor três escudos do Flamengo, soar o alarme e despejar uma nota azu… Ops… Uma nota preta nos cofres do Mais Querido, não tenho pudor nenhum em afirmar que meu protesto é oriundo em parte do meu egoísmo “mermo” de querer o Flamengo jogando aqui perto de mim. Mesmo sabendo que, até o limite que o dinheiro dá (e na maioria das vezes além até mesmo desse limite), não me faço de rogado e saio por aí pelos aeroportos e rodoviárias da vida atrás da minha paixão.

20130628191218_656Pois bem.

Não só eu, mas um montão de urubu reclamando da longa ausência do Flamengo em seu estado Natal. Em desespero e posso até dizer que em crise histérica, já comecei até a macular o sagrado nome e rebatizar para Flamengo-DF.

Aí… Aí… O Flamengo nos dá a honra de incluir o Rio de Janeiro, ainda que em Volta Redonda, na sua turnê mundial. Resultado: pouco mais de 2.000 pessoas presentes no estádio.

21389_3144823755812_906784385_nMesmo com os agravantes: preço caro (apesar de ter ingresso grátis para uma pá de ST), jogo tarde e ao vivo na telinha e, segundo me informaram, um show gratuito em algum canto da Cidade do Aço. Mesmo com tudo isso… Patética a presença da “Nação”.

E o pior de tudo: Duvido muito que se fosse no interditado Engenhão de Farinha passaria de 5.000.

Você, membro da “Nação” Rio que NUNCA está no estádio. Seja ele em Volta Redonda, em Macaé ou ali do lado no apodrecido Engenho de Farinha. Você mesmo. Cada um faz o que quer da sua vida e suas paixões, mas pense duas vezes antes de debochar da quase inexistente torcida do Botafogo, por exemplo. Pense mesmo.

*     *     *

CURTAS

INSANO. Além de poucas testemunhas, o elenco do Flamengo que aquecia perto do alambrado no Raulino de Oliveira, ainda teve que aturar um “torcedor” retardado que passou todo o tempo ofendendo (??!!) nossos jogadores. Nesse caso os membros da Ausente Nação Rio são até melhores. Não quer ajudar, pelo menos não atrapalha.

FLA MOCHILA DESCONTROLADA. Acredito que os membros das torcidas organizadas oficiais, que já se acostumaram a encontrar os mochilanos em tudo quanto é estádio por aí afora, devem duvidar um pouco da sanidade mental dos integrantes da Fla Mochila. O tempo infinito que esse povo passa às gargalhadas por qualquer besteira é deveras estranho. Estou incluso nisso aí.

PILOTO DE FUGA. Palmas para Zé Paulo da Fla Mochila que teve um desempenho brilhante na estrada após o jogo, mesmo sob um forte nevoeiro, e permitiu que todos nós tivéssemos mais parcas horas de sono do que imaginávamos, antes da labuta nossa de cada dia.

OK, VOCÊ VENCEU. BATATA FRITA.

 

639-0042-002_zoom1Como eu ia dizendo… (escriba disfarçando e fingindo que não ficou de chinelinho, sem colaborar para o blog, desde a traumática semana dos três jogos em Santa Catarina).

Se já foi complicado ter ido a três jogos em uma única semana em local tão distante do Rio, mais difícil há de ser a sequência do campeonato. E justamente pelo lado oposto. Da minha parte, jogo a toalha e me dou por vencido, derrotado e humilhado pelo capitalismo atroz. Este que se tornou um pouco mais selvagem após ser banhado pelos ares europeus e pasteurizados dos estádios da Copa-do-Mundo-FIFA.

calendario_globo2Não vou conseguir. Não tenho mesmo como estar presente aos 38 jogos do nosso querido Flamengo no Brasileirão, se esses NUNCA são realizados no Rio de Janeiro. Terra outrora sede do Mais Querido.

O jeito é me conformar em ver alguns jogos como membro da Fla Sofá. Saio menos Flamengo disso tudo? Não. Mas na minha cabeça, com uma visão toda deturpada e peculiar do mundo que me cerca, saio moralmente enfraquecido. No mínimo.

sala_televisao_f_004Pra começo de conversa o primeiro jogo que vou assistir no conforto frio e sem emoções do meu lar… Será nada mais, nada menos… E eu vou guardar bastante rancor disso quando estiver torcendo contra a Copa-do-Mundo-FIFA no ano que vem… Porque é o que vou fazer… Enfim, será um clássico contra o Vasco.

Já que é pra começar o troço vamos dar início em alto estilo. Faltar logo jogo contra um rival local. Nada mais apropriado e doloroso.

Vai passar. Em algum momento de 2014 nenhuma das pasteurizadas arenas será mais novidade e, fora um ou outro jogo que ainda será marcado para esses locais distantes, espero muito que eu tenha de novo um time com um estádio para reconhecer e chamar de “em casa”. Mesmo não sendo nossa propriedade de fato. Seja esse campo qual for.

n_20121109020811_flamengo_e_palmeiras_sera_no_dia_18_em_volta_redonda_616299E pensar que reclamei tanto de ter que ir a Macaé e/ou Volta Redonda. Deve ser algum tipo de castigo. Saudade desse tempo.

Sábado estarei em Brasília para o jogo contra o Coritiba. (essa frase não é esquisita?). No outro domingo, seja qual for o resultado do clássico, saio pessoalmente derrotado. Ok, vocês venceram. Sofá e batata frita.

DO YOU WANT TO PLAY A GAME?

ricardo-teixeira-lula-e-joseph-blatter-cumprimentam-se-ao-lado-da-logomarca-da-copa-de-2014-1278613421184_300x300[1]Agora sim o bagulho vai ficar doido.

Desde aquele dia em que vi o Lula tendo justas crises histéricas comemorando a escolha do Brasil para ser sede da “Copa do Mundo FIFA 2014” (vocês não conseguem imaginar o quanto isso aí entre aspas tem me provocado náuseas nos últimos tempos), pensei: “Oh fuck… sinto que vou ter problemas com isso”.

Não pensei que seriam tantos. Na verdade até tive pensamentos imbecis de que, apesar de algum perrengue decorrente, no final das contas eu e minha Pequena Trupe de Mochileiros Viajantes seríamos recompensados com melhores estádios, estrutura, transportes, etc.

Por enquanto a bagaça está saindo bem pior que a encomenda. Ainda mais agora que tivemos um péssimo e traumatizante primeiro contato com o tal “EVENTO-FIFA”. O jogo contra o Santos só serviu para aumentar meus temores e ainda acrescentar mais alguns outros nos quais eu nem tinha pensado. Bem… O relato completo e preciso sobre isso vocês podem conferir no texto do meu brother Júlio por aqui mesmo de alguns dias atrás, cata aí que nem dá trabalho… Garanto que bem menos que chegar ao seu lugar mal marcado no Estádio Mané Garrincha.

Captura de Tela 2013-05-31 às 10.05.45Chegamos pois às vésperas do que considero o ápice inquestionável da perrengueira toda do Brasileirão 2013. TRÊS JOGOS EM SANTA CATARINA EM UMA ÚNICA SEMANA. Ao chegar em casa no próximo domingo, dia 9 de junho, sinto que poderei olhar no espelho e exclamar: “Sobrevivi. O pior já passou”.

O título em inglês lá em cima, caso algum dentre vós meus leitores não seja nerd o suficiente para reconhecer, é a frase-mestra de Jigsaw, vilão-motor da brilhante série “Jogos Mortais”, franquia de baixo-custo e que gerou uma boa grana nas bilheterias de cinema pelo mundo afora.

mochileirosÉ exatamente como me sinto. Tenho uma visão perturbadora minha e de meus amigos “acomodados” com correntes no busão que nos trará do primeiro dos três jogos lá pelo Sul por longas 17 horas, sem contar é claro com algum tempo-extra por conta de engarrafamentos decorrentes do feriadão. Na tela do veículo, um típico cartola internacional da FIFA pronuncia a frase e dá início à semana-tortura.

Espero que todo o nosso esforço físico-financeiro tenha contrapartida do povo que enverga o Manto Sagrado lá em campo. Enquanto ficaremos nessa maratona de ir ver jogo (jura que um desses jogos é contra um time de Recife?) em Santa Catarina e trabalhar no Rio de Janeiro por toda uma semana, nossos atletas, que certamente ficarão bem acomodados por lá e com toda a infra-estrutura que merecem, bem que podem nos recompensar.

Vitórias? Boa idéia, mas não estou falando disso. Nosso amor é incondicional e não são três pontinhos aqui e ali que vão mudar isso. Agora, que o pessoal bem que podia fazer aquela correria-monstra atrás das vitórias que tanto acalenta nossos corações, lá isso bem que podia.

gameNosso jogo mortal já está traçado. Passagens compradas. De ônibus ou em 16 horas de estrada estaremos nos dois lados. Lá apoiando nosso amor-maior e aqui no Rio cumprindo com nossas obrigações.

Diante da pasmaceira que tomou contra da nossa equipe no jogo contra a Ponte Preta, seria a hora de perguntar para nossos jogadores, e esperamos que a resposta seja sim.

DO YOU WANT TO PLAY A GAME?

TÁ TODO MUNDO AÍ?

Pra ver como o mundo é injusto.

1155876-6405-gaMinha meia dúzia de leitores crente que estavam livres de toda essa tosqueira, e o pessoal do Falando de Flamengo resolve bancar Jesus Cristo e exclamar diante da minha cripta em São Gonçalo: “Flázaro, levanta-te e escreve!!”.

Agora é isso. Qualquer coisa reclama com os caras daqui. Parece que “cês” vão ter que me aturar, coisa que pelo jeito não deve ser lá muito fácil. A Chapa Azul, por exemplo, não conseguiu me suportar nem dois meses.

0,,33350674-EX,00Pra quem não me conhece e não teve saco de ler a descrição do blog (alguém lê essas coisas?), muito prazer, Sorin. Sou o Old Man lá da Fla Mochila. Aliás, tem mais um doente mental de lá que andará marcando presença por aqui. O Júlio vai mandar conteúdo de alta qualidade e bem redigido sobre os prés e pós jogo da vida. Deve ser pra contrabalançar a torrente de asneiras que despejarei sem clemência aqui desse lado.

Vou falar das aventuras por aqui. Analisar com Total Parcialidade os resultados das partidas. Por vezes fazer de um reles detalhe em um jogo ou uma viagem, um texto metido a besta e com ares de literatura séria.

A mesma coisa que o trabalho que era feito lá no Site Oficial? Nananinanão… Como diz aquela letra “véia” dos Titãs: “Não é que eu vou fazer igual, eu vou fazer pior”.

Lá, por motivos compreensíveis e justos, a bagaça tinha que ser um pouco pasteurizada. Afinal… Não dava mesmo para em pleno Site Oficial, debochar da opção sexual dos tricoletes, das fraquezas emotivas dos chorões, dos desvios masoquistas dos vices, da profissão escolhida pela mãe do juiz, essas coisas…

Aqui, segundo meus novos patrões me disseram, tá liberada a tosqueira toda. Melhor (ou pior) pra vocês.

970003_651695521511121_106703803_nBem… Chega de cerimônia. Considero-me chegado em meu novo habitat. Agora vão cuidar de suas vidas que eu tenho que arrumar as coisas para ir até Juiz de Fora amanhã. Bonzão. Jogo contra um time com o uniforme igual aos dos vices, véspera de feriado, mulher boa “pacarái” naquela aprazível localidade e, do jeito que a coisa anda, jogo pertinho. Só três horas de viagem. Na atual loucura pré-copa, é quase como se fosse na Gávea.

Fui.

Ofensas podem ser dirigidas aqui para o Falando de Flamengo ou…

mercioquerido@hotmail.com

Se preferirem me agredir pra todo mundo ver e sem privacidade, minha casa é o twitter. Lá eu sou @sorinmercio. Vou logo avisando que não respondo DM, isso é coisa de viado.

Tenho dito.